No país dos bancos, o e-banking ainda está engatinhando…
Você adora quando alguém faz um DOC pra sua conta e o dinheiro já aparece no mesmo dia, embora fique 24 horas bloqueado, né? Então, aqui não existe isso. Pelo menos, não no banco em que eu tenho conta, que é um banco classe média. Eu sempre tinha imaginado os bancos suíços como escritórios super chiques onde serviriam Nespresso para clientes (muito) endinheirados. Pode até ser que seja assim em alguns lugares, mas as agências dos bancos para comuns mortais como você e eu não são muito diferentes das do Brasil, exceto que aqui é muito mais complexo e burocrático fazer coisas que no Brasil estamos acostumados a resolver pela internet.
Na Suíça funciona assim: para transferir dinheiro de uma conta para outra, você precisa preencher um formulário com cópia em papel carbono (!) com todos os dados da sua conta e da conta para a qual você está transferindo. Daí você tem que assinar esse papel e entregar uma das vias para a caixa do banco e esperar dois dias. Se a transferência não foi feita, é porque a pessoa responsável não entendeu a sua letra e você tem que preencher tudo de novo! Nada de usar sua senha, procedimentos via internet ou caixa eletrônico. Caixa eletrônico aqui, aliás, faz algumas coisas que os do Brasil não fazem, como trocar francos suíços por euros e aceitar depósitos em moedas. Mas não faz coisas básicas como pagar conta de luz ou consultar a fatura do cartão de crédito.
O pagamento das contas é outra coisa que me intriga sobremaneira. Os boletos bancários não vem com código de barras. Eles vem numa folha picotada onde está escrito o nome e endereço do favorecido e o nome e endereço de quem está pagando. Às vezes, vem sem o nome de quem está pagando e você tem que preencher à mão antes de pagar. É o caso desse boleto aí embaixo, que veio numa cartinha pedindo doações para a Sociedade de Proteção aos Animais (nesse caso, o valor a depositar também está em branco, pois você pode escolher):
O jeito mais comum de pagar o boleto é indo nos Correios (ou no caixa “com pessoas” do banco). A moça do caixa cobra o valor correspondente e carimba o boleto atestando que já foi pago. Daí ela devolve o canhotinho carimbado para você guardar como comprovante. A outra parte do boleto, eu presumo, fica em uma gaveta até o final do dia, quando algum infeliz tem o contagiante trabalho de separar todos os boletos e encaminhar o que é de quem. Ou seja, não é que o dinheiro que você pagou vai automaticamente para a companhia de luz, por exemplo. Ele vai para o caixa dos Correios, que depois vão ter que repassar o valor para a companhia de luz, e para saber quanto tem que repassar eles tem que contabilizar todos os aqueles pedacinhos de papel carimbados! Parece coisa dos Flintstones, né?
É possível pagar boleto pela internet (ufa, ainda bem!) mas como nesse caso você não recebe o carimbo, fica difícil provar que você pagou, caso seja necessário. Eu por exemplo deixei de conseguir um reembolso do plano de saúde por causa de uma fatura que paguei pela internet e, mesmo imprimindo o comprovante do e-banking, não consegui provar que tinha pago. Isso porque o comprovante emitido quando você paga via internet não diz o favorecido! Parece que você está numa versão mais amena de um livro do Kafka, mas é a vida normal de Genebra mesmo.
