Me dá saudades de algumas coisas meio simples, também, como da minha coletânea do e.e. cummings bilíngue traduzida pelos Campos que emprestei e nunca mais voltou. De limonada fresca. Da casa da minha bisavó, e do jeito que ela sempre era uma presença sem entrar no caminho das nossas brincadeiras.
Então saudades podem ser divididas em:
- das coisas que você não sabe onde estão
- das coisas que existem em princípio mas não exatamente no lugar onde você está
- dos lugares que não existem mais
- dos lugares que existem mas nos quais você não está
- das pessoas que morreram
- das pessoas que estão vivas mas que você não está vendo no momento
- dos animais de estimação que morreram e/ou não estão com você no momento
- de coisas que aconteceram uma vez ou aconteciam regularmente
Obviamente que algumas são mais fáceis de sanar que outras. A limonada fresca, por exemplo. Posso comprar limões importados vendidos à unidade, ou esperar minha próxima visita ao Brasil. A edição do cummings só se eu encontrar uma usada no sebo, porque está esgotada na editora. A casa da minha bisavó a rigor existe, mas uma família comprou e botou um muro na frente, da rua só dá pra ver que colocaram aparelhos de ar condicionado. Também não tem mais nada das coisas dela dentro. A bisavó já morreu, e nem sei encontrar sua sepultura no cemitério porque não fui ao enterro. Mas ela está relativamente fácil de alcançar dentro das minhas lembranças, o que acaba sendo a única solução disponível para essa categoria.