Na ida eu não estava com sono, e era voo diurno, então engatei um filme atrás do outro. Na volta, um só. Por sorte o avião estava vazio, e dormi várias horas com as pernas esticadas sobre o banco vizinho. Delícia, nem vi o tempo passar. Vai ver é por isso que foi do filme que vi na volta que mais gostei.
Vou aproveitar para dar uns pitacos, embora nenhum deles seja propriamente uma novidade. (afinal, ter um blog não pressupõe exatamente esse tipo de narcisismo, de pensar que o que você acha interessa para alguém?)
Eat, Pray, Love
Vergonha alheia da cena de comida com a ária da Rainha da Noite da Flauta Mágica ao fundo. Tanta ópera italiana para escolher e foram colocar justo uma do Mozart, e em alemão!?! Tudo bem, ninguém deve ter percebido.
Também achei que tinha coisa demais no filme, muitas histórias. Sei que é adaptação do livro, mas na minha opinião não deu liga. Não li, mas acho que o livro deve ser bem mais bacana, porque a história em si me parece fantástica.
Ah, e o Javier Bardem podia ter feito aula com um professor brasileiro, né? “Já tenho saudades” não cola…
The Kids are All Right
A Juliane Moore até que está bem legal, mas a personagem da Anette Bening não me convenceu, não vejo onde é que tem lugar para ela no Oscar. Achei a divisão de papeis dentro do casal muito desigual, sem diferença para um casal hetero em que um sacrifica a carreira em nome dos filhos, e para manter a casa de pé. Será que precisa ser assim? Eu esperava mais.
De qualquer maneira, é bem vinda uma discussão mainstream sobre famílias chefiadas sobre casais do mesmo sexo, isso precisa deixar de ser tabu. E serve como ocasião para repensar a família em si.
The Social Network
Também não entendi por que todo o bafafá em torno desse filme. É legal conhecer a história do Zuckerberg, e de fato dá vontade de nunca mais entrar no Facebook depois de saber daquilo (embora eu vá postar o link para este blog no meu perfil assim que terminar de escrever). Porém, em termos de cinema, não achei nada de mais. Super convencional. Feijão com arroz. Que é bom, claro, mas daí a ser o melhor filme do ano fica faltando recuo.
Agora, tenho que fazer uma ressalva à minha crítica: Jesse Eisenberg, que interpreta o Zuckerberg, debulha. Está ótimo com esse comportamento meio de psicopata, desdenhando as pessoas como se não fosse capaz de sentir remorso, medo, ou qualquer outra coisa. Ele sim merece um Oscar, além de todos os outros prêmios que já ganhou…
You Will Meet a Tall Dark Stranger
Ok. Não vou obrigar o Woody Allen a fazer uma obra-prima por ano. Entre uma delas e a outra, ele faz alguns filminhos para se divertir e que divertem a gente também. Parece que ele quis juntar vários temas que já havia abordado antes, só que desta vez ele não amarrou nenhum. Dá pra ver pinceladas de Match Point, Poderosa Afrodite, Os Trapaceiros, entre outros, no meio da história. Fico no aguardo da próxima maravilha do meu neurótico favorito.
Tamara Drewe
Este sim! Valeu, Stephen Frears, por este filme bem conduzido! É convencional em roteiro, sim, mas os atores são sensacionais e tem aquele tempero britânico, misturando deliciosamente adolescentes entediadas numa cidadezinha de interior, celebridades sem noção (duas gerações), vaidades feridas e aquela vida campestre que continua mantendo todo o charme dos tempos de antigamente.
Quem também adora personagens que nem o Andy Cobb levanta a mão! Me lembrou muito o Dawsey do livro Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (The Guernesay Literary and Potato Peel Pie Society – por que é que não arrumaram um tradutor mais caprichoso pra manter o humor do título?). Que aliás, é abertamente inspirado no Darcy da Austen. Ok, é uma obsessão, admito.